← Todos os artigos
Open Source

Guia Prático: Varreduras de Vulnerabilidades em Redes Linux

Aprenda a realizar varreduras de vulnerabilidades em redes Linux com OpenVAS, uma ferramenta de auditoria de segurança para sistemas open source

5 de leitura
Guia Prático: Varreduras de Vulnerabilidades em Redes Linux
Foto por FlyD

Guia Prático: Como Realizar Varreduras de Vulnerabilidades em Redes Linux com OpenVAS

A identificação precoce de falhas em sistemas e dispositivos de rede é uma exigência básica para qualquer estratégia de cibersegurança defensiva. No ecossistema de software livre, o OpenVAS (Open Vulnerability Assessment System) destaca-se como a principal ferramenta para auditoria e análise de vulnerabilidades.

Neste artigo, você entenderá o funcionamento do OpenVAS, seus componentes essenciais e um passo a passo para implementar varreduras eficazes em redes e sistemas operacionais baseados em código aberto.

O que é o OpenVAS e o Ecossistema GVM

O OpenVAS é o mecanismo de varredura (scanner) que compõe a solução Greenbone Vulnerability Management (GVM). Ele utiliza uma base de dados atualizada constantemente com milhares de NVT (Network Vulnerability Tests) para testar serviços ativos, portas abertas, configurações incorretas e pacotes desatualizados.

A arquitetura do ecossistema é dividida em módulos principais:

  • Greenbone Vulnerability Management Daemon (GVMD): O serviço central que gerencia tarefas, usuários, relatórios e agendamentos.
  • OpenVAS Scanner: O motor que de fato realiza os testes contra os alvos definidos.
  • Greenbone Security Assistant (GSA): A interface web intuitiva para administração do sistema e visualização dos relatórios.
  • Feeds de Vulnerabilidades: A base de dados de assinaturas mantida pela comunidade ou por assinaturas comerciais.

[IMAGEM] tipo: diagrama assunto: Arquitetura funcional do ecossistema GVM com a relação entre GSA, GVMD e o OpenVAS Scanner motivo: Ajudar o leitor a entender como os serviços internos do OpenVAS se comunicam antes de iniciar a instalação [/IMAGEM]

Pré-requisitos do Ambiente

Para executar uma instância estável do OpenVAS em um ambiente corporativo ou de testes, recomenda-se a seguinte infraestrutura mínima:

  • Sistema Operacional: Linux (Debian, Ubuntu Server ou Kali Linux).
  • Processador: 4 núcleos de CPU.
  • Memória RAM: Mínimo de 8 GB (16 GB recomendado para atualizações céleres de feeds).
  • Armazenamento: 50 GB de disco (preferencialmente SSD) para suporte ao banco de dados PostgreSQL.

Passo a Passo: Instalação e Configuração

Em distribuições derivadas do Debian, o pacote gvm facilita o processo de implantação. Acompanhe os comandos essenciais a seguir.

1. Atualização e Instalação dos Pacotes

Primeiramente, atualize os repositórios do sistema e instale a suíte completa do GVM:

bash sudo apt update && sudo apt upgrade -y sudo apt install gvm -y

2. Inicialização e Download das Assinaturas

Após o término da instalação dos pacotes, execute a rotina de configuração automatizada. Este processo irá criar o banco de dados PostgreSQL, sincronizar as listas de NVTs e gerar as credenciais de acesso do usuário administrador.

bash sudo gvm-setup

Nota: O download inicial da base de dados de testes pode levar de dezenas de minutos a algumas horas, dependendo da velocidade da sua conexão.

3. Validação do Status dos Serviços

Para confirmar que todos os daemons estão operando corretamente, utilize a ferramenta de verificação nativa:

bash sudo gvm-check-setup

Se o relatório final indicar "Your GVM-22.x.x installation is OK", a ferramenta estará pronta para uso.

Executando sua Primeira Varredura de Vulnerabilidades

Com os serviços ativos, acesse a interface gráfica via navegador (geralmente em https://localhost:9392 ou no IP do servidor configurado).

[IMAGEM] tipo: screenshot assunto: Interface de login e painel principal do Greenbone Security Assistant motivo: Orientar o leitor sobre a navegação inicial na interface gráfica do sistema [/IMAGEM]

Passo 1: Definição do Alvo (Target)

  1. No menu superior, navegue até Configuration > Targets.
  2. Clique no ícone de estrela azul para criar um novo alvo.
  3. Insira o nome do dispositivo ou sub-rede (exemplo: Servidores_Linux_Internos).
  4. No campo Hosts, informe o endereço IP ou a faixa CIDR da rede (exemplo: 192.168.1.0/24).
  5. Escolha a lista de portas a serem testadas (exemplo: All IANA assigned TCP).

Passo 2: Criação da Tarefa (Task)

  1. Navegue até Scans > Tasks.
  2. Crie uma nova tarefa selecionando o alvo criado anteriormente.
  3. Defina o perfil da varredura (Scan Config). Para a maioria dos casos, o perfil Full and Fast oferece um equilíbrio ideal entre profundidade de análise e desempenho.

Passo 3: Execução e Monitoramento

Inicie a tarefa clicando no botão de reprodução (Play). O OpenVAS iniciará o envio de pacotes e o teste ativo de serviços nos alvos definidos. O progresso será atualizado em tempo real no painel.

Varreduras Autenticadas vs. Não Autenticadas

Um ponto crucial para a eficácia da análise é a distinção entre dois tipos de varredura:

  • Varredura Não Autenticada (Externa): Simula a perspectiva de um atacante externo sem acesso prévio ao sistema. Ela identifica portas abertas, serviços expostos e banners de versão.
  • Varredura Autenticada (Interna): O OpenVAS utiliza credenciais SSH (no caso do Linux) para acessar o sistema operacional e verificar pacotes vulneráveis instalados diretamente no gerenciador de pacotes (como apt ou rpm).

Para realizar varreduras autenticadas em servidores Linux, crie uma conta de usuário sem privilégios de superusuário no sistema de destino e cadastre essa credencial em Configuration > Credentials na interface do GVM.

Análise e Interpretação do Relatório

Após a conclusão do processo, acesse Scans > Reports para consultar os resultados. As falhas são classificadas de acordo com a pontuação CVSS (Common Vulnerability Scoring System):

  • Crítica / Alta (7.0 - 10.0): Exige mitigação imediata (ex.: execução remota de código, serviço desatualizado exposto).
  • Média (4.0 - 6.9): Falhas de configuração ou vazamento de informações contextuais.
  • Baixa (0.1 - 3.9): Boas práticas não seguidas ou informações gerais sobre o sistema.

Boas Práticas na Análise de Vulnerabilidades

  • Evite varreduras cegas em produção: Execute testes em horários de menor tráfego ou informe a equipe de infraestrutura, pois testes intensivos podem impactar serviços sensíveis.
  • Valide falsos positivos: Nem todos os alertas gerados representam falhas exploráveis na sua infraestrutura específica. Analise o contexto antes de aplicar correções bruscas.
  • Mantenha os Feeds Atualizados: Agende a atualização periódica da base de dados de assinaturas (sudo gvm-feed-update) para garantir a detecção de ameaças recentes (CVEs novas).

Fique por dentro das novidades

Receba as principais notícias do DigitalTech por e-mail ou WhatsApp.

Você poderá cancelar a inscrição quando desejar.